Você já reparou que a Netflix está com um catálogo variado no quesito: cultura?
Agora você deve estar recebendo notificações de séries, minisséries e filmes que não se resumem apenas ao mercado norte americano ou europeu, mas também de outros países: Turquia, Coreia…
Eu, como boa curiosa que sou, além de amar ver filmes e séries, gosto de assistir essas sugestões, até para observar uma questão: a cultura.
Seja um filme em que a abordagem é relacionamentos, trabalho, comédia. Seja um reality show. Você vê a diferença que existe tanto da nossa cultura como da cultura que estamos acostumados a ver em filmes e séries.
Além disso, quando você começa a abrir a sua mente para observar com esse olhar de curiosidade, você vai se permitindo observar outras coisas que podem ser interessantes para o seu próprio negócio. (Você não achou que eu estava falando de séries por falar, não é mesmo?)
Assim como no mundo da televisão e do streaming, nós vemos costumes, maneiras de agir, maneiras de tomar decisões que são muito diferentes das nossas. Isso também acontece com outras empresas: cada empresa tem o seu costume, a sua maneira de agir e a sua própria maneira de tomar decisões.
Vou te mostrar com 3 exemplos de empresas que eu já vi acontecer:
Quartel General de Fayol e Taylor
Já vi empresa digital que era um quartel general, praticamente. Era quase como um voltar no tempo nas teorias administrativas para aquele modelo tradicional em que “faz o que eu digo, não faz o que eu faço e jamais questione” junto com o “ou você produz dentro das minhas expectativas ou está fora”.
Empresas desse tipo tendem a não valorizar muito as pessoas, apenas os resultados e decidir com base nos dados. Traz resultado financeira? Fica. Não traz o resultado financeiro esperado (mesmo que signifique um resultado além do que as métricas da empresa mostram ser possível)? A porta da rua é serventia da casa.
Além disso, são ambientes que não ligam para motivação, engajamento, cultura, felicidade, bem-estar. O foco é única e exclusivamente fazer dinheiro.
Vende o almoço pra pagar a janta e vende a janta pra pagar o próximo almoço
Outro tipo de empresa que existe é aquela em que não se tem clareza do que precisa ser feito, porque se vive tão preso no ciclo de conseguir dinheiro para conseguir sobreviver, que não se consegue pensar além.
As ideias surgem, são iniciadas, são descartadas sem nenhum tipo de planejamento. Tudo é feito com urgência, para ontem, porque não se tem dinheiro para se ter respiro. E não se tem respiro para se ter dinheiro. É um ciclo completamente vicioso.
Existem empresas que até possuem documentações muito bem feitas. Manual de Cultura, Planejamento Estratégico, documentações de processos… Tudo lindo em uma vitrine, mas a qual ninguém acessa de verdade.
São documentos que foram feitos para serem exibidos e guardados na gaveta. Sem nenhuma aplicabilidade. Empresas que pregam uma coisa, mas a realidade é bem diferente (e muito cuidado, porque se você cair no mal de ficar comparando com a grama do vizinho, pode acabar se desmotivando por uma empresa que não é o que aparenta ser).
A empresa “familiar”
Há ainda empresas que se importam com as pessoas, mas de uma forma não estratégica. As pessoas são parte da “família”, amigos próximos. E sabe o problema desses ambientes? Você não consegue cobrar a pessoa, passar metas, passar KPIs, cobrar, dar feedbacks, consolidar de forma estruturada o seu próprio negócio, porque fica com medo de magoar essas pessoas.
Não tem problema em trabalhar com amigos ou pessoas da família, mas precisa ter maturidade de separar os negócios da amizade.
Ou ainda, vão lá, passam o feedback para alguém do time e isso é levado para o pessoal, o mesmo acontece quando alguém do time diz algum não ou não concorda, o dono/gestor também leva para o pessoal.
Se chega naquele nível de “pisar em ovos”. As pessoas não querem mais compartilhar o que pensam de verdade, mesmo que isso ajude a evitar um risco para empresa, ou que sejam ideias incríveis para poder resolver algum problema, porque elas tem medo da reação alheia.
A um primeiro olhar parece um time unido, com grande interação e integração, mas analisando bem, você percebe que muitos problemas são ignorados por medo de falar, medo de se posicionar e a empresa só perde com essa falta de diálogo.
A empresa faz o que eu digo e não o que eu faço
Tem empresas que valorizam alguns princípios ou valores, mas que não conseguem cumpri-los na prática. Que valorizam a transparência e a verdade, mas não conseguem ser sinceros com as próprias pessoas do seu time. Não conseguem abrir completamente os problemas que enfrentam, as vulnerabilidades que possuem. Vivem como se fossem 2 pesos e 2 medidas.
Dizem como cada um do time deve seguir, cobram isso com veemência, mas quando se vê, nem mesmo quem cobra esse tipo de atitude tem esse tipo de atitude.
As pessoas do time percebem essa diferença e acabam compactuando as mesmas atitudes. Por exemplo, cobram uns dos outros os valores, mas internamente, entre eles mesmos, acabam não agindo dessa forma.
O próprio time trata uns aos outros como 2 pesos e 2 medidas. Gostam de alguém? Passam pano para a falta de cumprimento dos valores. Chegou alguém novo ou não gostam de alguém? Podem ficar internamente repercutindo essa picuinha, falando da pessoa, da falta de alinhamento e avaliando cada pequeno passo e atitude.
Só que no fundo, não percebem que nem eles mesmos estão seguindo a própria cultura da empresa.
Qual a cultura da sua empresa?
Todos esses exemplos que eu te passei são reais. Foram empresas que eu conheci. Empresas que você pode até conhecer (nunca revelarei as fontes, sorry!). São culturas diferentes que existem dentro do digital.
E a sua empresa pode ter uma cultura que você se identifique com algum dos exemplos que citei ou ser completamente diferente desses exemplos e está tudo bem.
O que importa é você identificar qual é a sua cultura.
Tanto a cultura que você gostaria que sua empresa tivesse, assim como a cultura que realmente acontece na sua empresa.
Isso te ajuda a pensar melhor na sua empresa, de forma estratégica. A escolher melhor as pessoas que fazem parte do seu time. A tomar melhores decisões para o seu negócio. A se posicionar, a vender, a crescer.
Para te ajudar a construir e refletir a sua cultura, vou te deixar dessa vez uma sugestão de um vídeo que está no canal do YouTube:
Como criar cultura organizacional no seu negócio digital?
Mas ATENÇÃO!
Eu dou vários exemplos nesse vídeo.
Nunca saia simplesmente copiando a cultura de outra empresa. Cada empresa é um organismo vivo. Cada empresa tem suas particularidades e elas começam com você, que é responsável pela sua empresa.
Empresas bem sucedidas há tantos anos e que passaram por tantas gerações, mantendo um mesmo padrão de identidade, são empresas que conseguiram incorporar os valores e princípios do próprio dono.
Por mais que a gente separe o CPF do CNPJ, em alguns momentos eles vão acabar se unindo.
Pense em casos de sucesso, como Disney, Apple… Pense em como essas empresas continuam prosperando com uma cultura forte mesmo após a morte de seus donos. Observe como essas empresas possuem uma cultura que leva a cara dos seus donos, seus próprios sonhos, suas próprias ambições, suas próprias características.
Com a sua empresa não é diferente.
Sua empresa reflete quem você é.
Sua empresa carrega a sua essência.
E isso é a cultura que a sua empresa possui.
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